Nos pampas é “avestruz”,
Pela mesma origem distante
Que o primo forte, gigante,
De procedência africana.
Maior ave americana
É a ema, nome oficial;
Do sul ao Brasil Central,
Do cerrado ao pantanal,
Vive a “rhea americana”.
Ave mística e lendária
Desta América meridional,
Que o índio, nosso ancestral,
Como “ñandú” designava
E da ema já aproveitava,
Desde antes da era Cabral,
A pele, carne e gordura,
E, na sua primária cultura,
Já utilizava nas curas
Seu poder medicinal.
Incapaz de alçar vôo,
Mesmo assim, quase perfeita.
Na alimentação nada rejeita,
Pela sua anatomia.
Já a lenda lhe atribuía
A fama de mensageira
Veloz, elegante e campeira,
Na sua cinzenta plumagem.
Cruza coxilhas e vargens,
Controla praga em pastagens
Comendo ervas, capim,
Insetos, répteis, cupins,
Dando mais vida à paisagem.
Lições de paternidade
Nos dá o macho “ñandú”:
O ninho, no solo cru,
Prepara com zelo e afeto,
Capim seco, algum graveto,
Tendo nuvens e céu como teto.
E, após a fecundação,
É dele a árdua missão
De recolher, espalhados,
Os ovos semi-dourados
Ao ninho, para incubação.
Chocando-os, de sol a sol,
Com corajosa proteção
Contra animais, garoa e vento,
Cinco semanas ao relento
E encantam os novos rebentos
Na magia da eclosão!
Por mistério da natureza,
As fêmeas dão pouco valor
Ao produto do seu amor
Com o macho dominante:
Das eminhas ficam distantes.
E sustento pra toda prole?
Não vai ser tarefa mole!
Vários filhos de cada mãe,
Aos tropeços, “levanta e cai”,
A ninhada,ainda implume, se vai.
Percorrer longas distâncias,
Prover algo de “sustância”,
Também é tarefa do pai...
...e proteger dos predadores
Entre os quais o bicho-homem,
Civilizado, mas que, em nome
Da ganância ou esperteza,
Agride a mãe natureza
Com poder de destruição.
Tanta espécie em extinção,
O futuro vai nos cobrar.
É hora de preservar
Esta nativa criação!
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